sábado, 31 de outubro de 2009

Fecho do mês

Mais um mês de treino que, apesar da lesão no tornozelo (e sabe-se lá mais aonde!), não correu muito mal. Aqui fica a contabilidade mensal:
 - Marcha: 212 kms
 - Bicicleta: 63 kms
 - Peso: 96 kg (-3 kg que o mês passado, -12 kg do que em Agosto)



Planos para o próximo mês:
 - evitar lesões
 - continuar a apostar no cross training de ciclismo
 - treinos regulares de 90 minutos
 - retomar lentamente os treinos longos (moderando a velocidade)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sandra Brown


Esta singela senhora com ar de que já toma conta dos netos (aquela que vai à frente na foto) detêm praticamente todos os records de marcha de longa distância em na categoria feminina:
  100 km   11:17:42
  100 ml    19:00:47
  12 hours 106.180 km
  24 hours 194.758 km
Tem neste momento cerca de 60 anos e já completou mais do que 125 eventos de 100 milhas (180km) ou mais. Segundo a própria usava as corridas 100 milhas como treinos para outra corridas de 100 milhas... Em toda a carreira apenas 4 lesões graves. [Li tudo isto em dois artigos muito interessantes da própria, mas que entretanto deixaram de estar online aqui].

O segredo: estilo e postura equilibrados.

sábado, 24 de outubro de 2009

Calcanhar deslizante

Há "truques" que vale a pena partilhar.

Tenho uns ténis que teimavam em, literalmente, lixar-me um, e apenas um, dos calcanhares. Apesar de os atar o melhor que conseguia, o calcanhar teimava em deslizar, e esta fricção chegou a produzir resultados bastante destrutivos num dos treinos longos.

Penso que descobri finalmente o problema. De facto não estavam bem atados. Dependendo dos pés e sapatos de cada um podem-se usar diferentes técnicas para os ajustar convenientemente. Neste caso o importante é apertar bem no topo sem que se tenha de estrangular completamente o resto do pé.


O truque, tal como ilustra a figura, é criar uma espécie de laços, servindo-nos dos dois últimos buracos, e cruzar as pontas passando nessas mesmos laços.

Há primeira vista não me pareceu que fosse fazer diferença, mas a realidade é que funciona!

Mais informações aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O meu corpo fala comigo

Há coisas em que não vale a pena ser teimoso. Lenta e dolorosamente o tenho constatado.
Apesar de tudo, a marcha é uma actividade mais "metatársica" do que metafísica. E quando o metatarso nos dói, não há metafisica que nos valha.

O meu corpo tem tentado entrar em diálogo comigo. Mas eu só homem de poucas falas e tenho ligado pouco ao que ele tem para me dizer. Mas ele diz. Não há nada que o cale.

Assim, para além de outros preparos logísticos a resolver, fica desde já aqui estabelecido que vou fazer meia-volta no meu plano de treino e voltar à semana zero. Para além disso, só irei passar dos 20 kms nos treinos longos depois de conseguir fazer esta distância com facilidade e sem incidentes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Erros comuns #2

Mais alguns dos erros em que incorrem os "novatos", como eu, quando tentam marchar rapidamente:
  • Encolher os ombros - é quase uma reacção natural quando se tenta acelerar um pouco o passo. No entanto, não ajuda em nada e provoca umas valentes dores de costas. Os ombros devem estas descontraídos e para baixo. O movimento do braços não deve ser rígido, mas sim descontraído.
  • Andar "à pato" - esta é ainda mais difícil de dominar... por forma a ter uma passada mais longa e eficiente, estendendo ao máximo a propulsão do pé de trás, deve haver uma rotação das ancas, fazendo com que pés caiam sobre uma linha recta imaginária e não afastados - à pato. Há ainda mais um pormenor, por forma a compensar o facto da perna dianteira estar totalmente esticada desde que toca no solo, até passar por baixo do corpo, a anca do lado contrário deve descair, funcionado como uma espécie de amortecedor e mantendo o corpo nivelado.
Uma boa postura é mais do que essencial: velocidade, eficiência, resistência e pouca lesões. Parece-me cada vez mais claro que o essencial para acabar uma prova de marcha de longa distância é uma postura correcta. Não tenho tido grandes problemas musculares nos treinos longos, mas sim problemas nas articulações e tendões que me parecem ligados a questões de postura... ou talvez não.

domingo, 11 de outubro de 2009

Hoje vi o nascer do sol

Hoje vi o nascer do sol. Depressa nos esquecemos, mas não há nada que se lhe compare.

O dia começou cedo. Ás 6:50 já estava na rua, preparado para mais um treino longo. Cerca de 26 km que estimava demorarem-me cerca de 4 horas. Fiquei-me pelas 3 horas e 50 minutos, um ritmo bastante bom para mim - abaixo dos 9 minutos/km. Aliás, esta é uma tendência que tenho verificado nos meus treinos longos: apesar das distâncias terem vindo a aumentar, ainda assim tenho conseguido imprimir um ritmo progressivamente mais rápido.

Tenho tornozelo esquerdo um bocado lixado. Ás vezes esqueço-me que ainda tenho 98 kilos.

Em quatro horas deu para tudo: paragem para xixi; paragem para tirar um pedra que, não sei como, me entrou para o sapato; reabastecimento de água no café da esquina.

Boas notícias: nem uma bolha! Fui mais generoso na vaselina e acho que resultou. É certo que também tinha uma meias novas: 12 euros - passo a publicidade. Meias são sempre um bom investimento.

sábado, 10 de outubro de 2009

Ultra Walking

Também na marcha há em prefira as longas distâncias (+ que os 50km da prova olímpica). Tal como na corrida existem provas de distância fixa, mas também de tempo fixo (18 horas, 24 horas). As distâncias e marcas atingidas nestes eventos são verdadeiramente impressionantes.

Um dos "títulos" míticos desta modalidade é o de centurion atribuído a quem consegue percorrer 100 milhas (cerca de 185 kms) em menos de 24 horas. Mas atingir esta marca é necessário não só resistência, mas também velocidade.

Aqui vão alguns dos records:



RECORDS MASCULINOS
Prova
Tempo
Nome
Nac.
Lugar
Data
Pista
100 km
9:16:32.2
Fredéric Marie
FR (1961)
Etréchy(FR)
19/4/1987
100 ml
17:18:51.1
Hew Neilson
GB (1916)
Walton o.t.(GB)
14-15/10/1960
200 km
21:58:40.0
Claudio Sterpin
IT
Milán
18-19/10/1986
500 km
90:49:55
John Dowling
GB
Nottingham(GB)
31/7-3/8/1983
12 horas
118:805 m
Robert Dobson
GB (1942)
Colchester(GB)
15/9/1985
12 horas (No Conf.)
118,921 m
Tom Richardson
GB (1911)
Woodford(GB)
16-10/1938
24 horas
216,621 m
Claudio Sterpin
IT
Milán
18-19/10/1986
6 días
741,212 m
John Dowling
GB
Nottingham(GB)
31/7-5/8/1983
6 días
855,180
George Littlewood
GB (1859)
Sheffield
6-11/3/1882
Estrada
100 km
8:38:07
Victor Ginko
BG (1965)
Scanzorosciate(IT)
27/10/2002
200 km
19:55:07
Zbigniew Klapa
PL (1952)
Chapelle(BE)
22-23/10/1983
24 horas
226,432 m
Paul Forthome
BE
Bruselas
13-14/10/1984
24 horas
228,930 m (No Conf.)
Jesse Castaneda
US
Alburquerque(US)
18-19/9/1976




RECORDS FEMENINOS
Prova
Tempo
Nome
Nac.
Lugar
Data
Pista
100 km
11:17:42.0
Sandra Brown
GB (1949)
Etréchy (FR)
27/10/1990
100 ml
19:00:47.0
Sandra Brown
GB (1949)
Auckland(NZ)
10-11/7/1999
200 km
29:23:54.0
Anne Sayer
GB (1936)
Nottingham(GB)
11-12/4/1982
12 horas
106,180 m
Sandra Brown
GB (1949)
Etréchy(FR)
27-28/10/1990
24 horas
194,758 m
Sandra Brown
GB (1949)
Ware(GB)
19-20/7/1997
48 horas
294,114 m
Anne Sayer
GB (1936)
Nottingham(GB)
11-12/4/1982
6 días
695,236 m
Ada Anderson
GB (s.XIX)
King's Linn(GB)
19-24/8/1878
Estrada
100 km
10:13:56
Kora Boufflert
FR (1966)
Roubaix(FR)
9/10/1994
100 ml
18:06:10
Annie Van der Meer
NL (1947)
Rouen(FR)
10-11/4/1986
170 Km
19:56:41
Kora Boufflert
FR (1966)
Bar le Duc(FR)
23-24/4/2005
200 km
22:36:46
Annie Van der Meer
NL (1947)
Rouen(FR)
10-11/4/1986
24 horas
211,250 m
Annie Van der Meer
NL (1947)
Rouen(FR)
10-11/4/1986


Também em voga estão as prova designadas por ultra-trail: provas de longa distância, fora de estrada, muitas delas em montanha. Algumas delas:
Ultra-Trail Serra da Freita
Ultra-Trail Madeira
Ultra-Trail Monte Branco

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Quando é que começas a correr?

... já assim me perguntaram. Pois, não sei. Com certeza nunca antes chegar aos 90 kg. Antes disso acho que seria suicida para as minhas articulações. A última vez que tentei correr, andei uma semana com dores nos joelhos e anca.

Quanto mais fui lendo, aprendendo e experimentando a marcha/caminhada, mais me parece uma boa opção. Especialmente para que tem excesso de peso, como eu, mas não só. Não que seja contra a corrida ou qualquer outra actividade desportiva. Mas parece-me, pelo contrário, que existe algum preconceito no sentido contrário - talvez seja imaginação minha.

Para quem tem excesso de peso ou está completamente fora de forma, depois de ultrapassado o preconceito e aceite a realidade, é muito mais motivante andar (o que mais depressa ou mais de vagar toda a gente consegue) do que tentar correr e literalmente não conseguir, ficando constantemente sem fôlego.

No que toca a escolher entre a marcha e corrida, tudo depende da forma física de cada um, mas aqui vão algumas vantagens da marcha:
  • muito menos impacto nas articulações; correr coloca uma força de mais de 3 vezes o peso do corpo sobre as articulações.
  • para a mesma distância percorrida, caminhar consome mais calorias do que correr (mas demora mais tempo, como é óbvio).
  • dado que é exercido a uma intensidade mais reduzida (tipicamente 50 a 70% do ritmo cardíaco máximo) a  o corpo consome sobretudo gordura (cerca de 80%), ao contrário da corrida que se for exercida de 70-80% do ritmo cardíaco máximo consome sobretudo açúcares e  hidratos de carbono.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vaselina? Estarei finalmente louco?

Quando li pela primeira vez que muitos "ultra-walkers" barravam os pés em vaselina para reduzir o atrito e assim evitar bolhas, pareceu-me que os senhores estavam um pouco fora da realidade. Pensei que, como é próprio dos loucos, tinham recriado a realidade e constituído um mundo alternativo onde tal prática não oferecesse-se qualquer dúvida. "Não, o que eu quero é encontrar umas meias boas", pensei eu.

Pois, não sei se estarei finalmente louco, mas, após os tormentos tenho relatado, resolvi experimentar tal prática no treino desde fim de semana (14K), essencialmente como ensaio para o próximo treino longo. Fi-lo com alguma timidez, confesso; não exagerei na quantidade com medo de inutilizar os ténis. Dai também os resultados não serem conclusivos. Se é verdade que não tive bolhas, também devo admitir que se o treino se prolongasse de certeza que as teria. Sentia uma fricção crescente na zona atrás do dedo grande, onde se exerce maior parte da força ao andar.

Conclusão: necessita de experiência mais veemente; mas entretanto vou também procurar umas meias que tenha protecção adicional; há também quem fale de meias duplas, o que me parece bem, mas ainda não encontrei à venda.

sábado, 3 de outubro de 2009

Peregrinações

Sou ateu, mas as peregrinações fazem-me todo o sentido. Nunca embarquei em nenhuma destas viagens, mas confesso que exercem sobre mim uma profunda atração. Aliás, não será a viagem que planeio uma peregrinação, ainda que não chegue a nenhum lugar de cariz religioso. Não será Fátima, Santiago ou Lourdes, mas o que importa.

Para mim, o essencial de uma peregrinação é a disponibilidade pessoal, o tempo que se oferece e se ganha. Caminhar durante 10 ou 12 horas por dia, a uma velocidade que já não é destes tempos, oferece-nos um espaço, um vazio, que se preencherá com algo que vem inevitavelmente do nosso interior.

E o sofrimento, o desgaste fisico e emocional, o ultrapassar de limites é também fonte de grande auto-conhecimento.

A mim, marcou-me, penso que para toda a vida, uma escalada ao Pico (Açores) que fiz em total ignorância e ainda maior sofrimento. Nunca me ei-de esquecer. E agora, que o tempo levou as dores, resta a marca profunda que deixou em mim, e a certeza que consigo suportar muito mais do que se imagina. Todos conseguimos, mas só alguns é que o sabem.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2 Meses - 411 km

Entre as regulares viagens casa-trabalho, treinos e passeios, já lá vão + de 400 km registados.


Pequenas coisas, feitas persistentemente.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Erros comuns

Antes de a ler sobre o assunto, cometi uma série de erros que vim a descobrir serem bastante comuns. Nomeadamente:
  • Deixar os braços pendurados: o movimento de pêndulo não ajuda à progressão e ao fim de uma hora, ou menos, causa problemas de circulação nas mãos; a postura correcta é manter os braços dobrados num ângulo de 90º graus, junto ao corpo, balançados de forma a contrabalançar o movimento das pernas.
  • Tentar alongar a passada para a frente: mais uma vez comum entre quem começa a tentar andar mais rapidamente, provoca exactamente o efeito contrário. O pé deverá entrar em contacto com o solo, na zona do calcanhar, formando um ângulo de 45º; no caso de tentarmos alongar a passada para a frente, o pé entra em contacto com o solo num ângulo mais aberto o que causa um efeito de travagem. Para além disso, levar o pé no ar durante mais tempo não trás qualquer vantagem pois a propulsão é exercida no solo. A passada deve ser alongada para trás, zona em que é exercida toda a propulsão.
  • e mais alguns.
Todas estas coisas e muito mais esmiuçado em:
10 Walking Mistakes to Avoid
How to walk faster