terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A metafísica do metatarso (revisitada)

Já há uns dias que andava para escrever o que se segue... a mensagem da Dinâmica do Pedal fez-me pensar. Agora que estou confinado ao sofá, surgiu finalmente a oportunidade. É lamechas. Apertem os cintos de segurança.

Nunca antes pensei em ser capaz de correr uma maratona ou fazer qualquer outra proeza semelhante. Mas agora penso. Acredito, que mais ano, menos ano, lá chegarei. Tenho absoluta confiança. O que é estranho...

Da mesma forma, tenho absoluta confiança que voltarei a pesar setenta e tal quilos, tal como aos 18 anos. Pode ser que seja (de certeza que é) uma valente crise da meia-idade. Os 33 anos não o desmentem. Mas, ainda assim, é estranho... donde surgiu esta confiança? O que é que me fez mudar? O que é que mudou em mim?

Não foi uma única coisa e não aconteceu de um dia para o outro. O mundo é mais complexo do que isso e eu também.

Mas... se não tivesse visto o Rui, um mero mortal meu conhecido, há mais ou menos um ano atrás, completar a maratona Carlos Lopes; se não tivesse travado conhecimento com o Pedro e escutado a suas dissertações e admonições telegráficas; e se esse mesmo Pedro (o sr. ciclista) não tivesse percorrido 670 kms de bicicleta de uma assentada (coisa tão irreal para mim, como caminhar na lua). Se nada disto me tivesse acontecido... então não teria nem o exemplo, nem a curiosidade de apreender mais. Muito obrigado a ambos.

E muito obrigado à esposa, pelas madrugadas e serões em que me dispensou. A ela e à filha, mil e uma outras desculpas por todas as faltas de atenção que nem sequer percebo.

É certo que a verdadeira mudança só pode vir do interior. A admiração por quem é capaz destas proezas e alguma obstinação, já cá estava. O difícil foi (é) começar. 10.000 horas de trabalho é o necessário para realizar qualquer tarefa proficientemente.

Mas se sigo neste caminho é, devo confessá-lo, apenas por três pessoas. Por mim, pois caso contrário seria de todo difícil continuar a manter a sanidade mental por muito tempo. E pela minha filha e mulher, pois sei, por experiência própria, que crescer sem pai ou marido, perdê-lo por uma artéria entupida, é demasiado mau, demasiado inexplicável. Crescer sem pai, viver sem pai, é pior do que ser zarolho, mouco ou perneta. É realmente mau, ainda que tudo escondamos.

Será que vou fazer o Portugal na Vertical a pé?

2 comentários:

  1. Não tenho qualquer dúvida que esta caminhada vai ser feita. Aliás, o caminho já está a ser trilhado, pois grande parte dele (e a mais importante) vai ser percorrido antes do evento.
    Estou contigo!

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