quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Crashing

Em ciclismo pode querer dizer uma de duas coisas: amachucaste o para-choques da bicicleta (o próprio ciclista); ou descreve uma estratégia de treino utilizado sobretudo na preparação para as grandes e longas provas por etapas.

Não sou exactamente um perito, mas vou tentar explicar. Os ciclos de "crash" consistem em elevar de forma dramática o volume e intensidade dos treinos durante duas semanas e que se segue um período de recuperação (outras duas semanas). O objectivo é o mesmo do treino em geral: provocar stress necessário sobre o corpo, por forma a que este se adapte durante o período de repouso/recuperação. A diferença aqui é que o stress exagerado por forma a que na recuperação, normalmente também mais longa, o corpo tenha uma adaptação ao treino maior do que o normal - conhecida como "super-compensação".

Esta estratégia é obviamente arriscada, podendo dar origem a lesões, overtraining, etc. Mas também pressupõe uma base de treino bastante sólida.

Mas, ainda assim, o que me chamou mais a atenção neste tópico, foi a importância do repouso. De facto esta estratégia parece quase uma caricatura, um exagero do processo normal de treino: stress e repouso; e é no repouso que são efectivadas as melhorias.

Um excerto retirado do sítio onde li estas coisas:
"In 1992, a group of seven Dutch cylcist crashed for two weeks by increasing their training volume from normal 12.5 hours per week to 17.5 hours. At the same time, their high-intensity training went from 24 to 63 percent of their total training time. The immediate effect was a drop in all mesurable aspects of their fitness. But after two weeks of recovering with ligth training, they realized a 6% improvement in power. Their time trial improved by an average of 4%, and they had less blood lactate at top speed compared with pre-crash levels. Not bad for two weeks of hard training",
                                     Cyclist Training Bible, pag. 150, Joel Friel

Um estudo semelhante foi efectuado com corredores também com resultados semelhantes. Foram também necessárias duas semanas de recuperação para efectivas as melhorias.

Ora o que é que isto tem ver comigo? Ou porque é que me lembrei disto?

De facto, após ter estado duas semanas totalmente parado, devido à lesão no joelho, e logo após uma ou dois treinos sinto que estou mais rápido. Para uma mesma frequência cardíaca média vou mais depressa. É difícil comparar treinos feitos ao ar livre em que há montes de variáveis como o vento, temperatura, etc. Mas de facto, é essa a sensação que tenho. E tudo o que fiz foi estar sossegado. Não fazer NADA!

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