quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Zen e a Arte do tiro com arco

Este ainda não se tornou um blog sobre literatura, mas também não é um blog sobre desporto.  Este é um blog sobre o quê?

Já há algum tempo que namorava este livro. Talvez fosse o título: à partida enigmático. Talvez fosse a minha curiosidade mística, transcendental ou religiosa não assumida. Ou então, apenas porque tinha um tamanho bom e não era muito espesso: não corria o risco de me vazar um olho, enquanto pendesse hesitantemente à minha frente na cama. Como tenho mais livros do que tempo para os ler, a sua compra foi sucessivamente adiada até que um cheque livro o veio resgatar à opróbrio de ser vendido em promoção numa qualquer feira de oportunidade.

É um daqueles livros que pode interessar a diferentes pessoas por diferentes motivos.

Narra a experiência de um professor de filosofia alemão (o próprio autor) enquanto aluno de um conceituado mestre Zen na arte do tiro com arco. Esta arte do tiro com arco não têm, no Japão, qualquer propósito desportivo, utilitário ou sequer estético. Trata-se de um exercício da consciência, exercício de contacto com o inconsciente, de abolição do ego. A técnica torna-se tão intrínseca que deixa de ser pensada, passando simplesmente a acontecer.

Não vou aqui fazer um resumo do livro (que por si já é razoavelmente conciso), mas apenas explicar o seu interesse.

É interessante pela sua forma. Trata-se de um relato na primeira pessoa acerca sua experiência e dificuldades enquanto aluno, durante 6 anos, na arte de tiro com arco. Nada de muito original, por certo. Mas é marcado por um tal concentração e um tal despojamento, que foge ao corriqueiro, e elimina todas as distracções, que se torna muito eficaz. E belo porque se percebe a intencionalidade. Desde logo reconhece também, com extrema lucidez, as suas limitações: "Quem não não participe de experiências místicas permanecerá, por mais que faça, sempre do lado de fora. Esta condição, à qual obedece toda a mística genuína não admite excepções"; a vivência Zen, ou qualquer outra vivência de carácter místico, não pode ser transmitida por uma série de frase circulares, redondas, paradoxais, quase niilistas. E também não pode ser por conta deste relato.

É interessante com o são todos as experiências de encontro de culturas diferentes. Aqui especialmente no que se refere ao ensino e aprendizagem. Concepções bastante diferentes separam Ocidente e Oriente neste aspecto. Repetição, repetição, exemplo, imitação, confiança. A relação aluno/mestre apresenta contornos difíceis de perceber no mundo ocidental, especialmente no que diz respeito à confiança cega devotada pelo aluno, que não questiona e tudo aceita. Mas também pela sabedoria do mestre que escolhe deixa o aluno errar, deliberadamente, abdicando de lhe indicar imediatamente o caminho certo, para que mais tarde a razão dos seus ensinamentos se torne evidente.

É interessante pelas curtas mas preciosas pérolas de sabedoria oriental. Um exemplo:
«Bom, parece-me que o mais difícil já passou» - disse eu um dia ao mestre, quando ele nos anunciava que iríamos começar com novo exercícios. «Aqui temos o costume de aconselhar a quem tem de caminhar cem milhas, que considere as noventa como sendo a metade - respondeu ele. Mas o objectivo desta nova etapa é o atirar ao alvo.»

E na corrida? Ou na caminhada? No ciclismo? Também há momentos zen?

Para mim, caminhar ou correr têm a grande virtude de me esvaziar a cabeça. Os movimentos repetitivos, a respiração hipnótica, o som ritmado dos sapatos no chão, provocam (num bom dia) uma dormência de espírito equivalente a dois xanax e um prozac (não sei do que estou a falar porque nunca experimentei). 

Há momentos em que me dedico a observar o corpo: aparece um dorzinha aqui, depois ali, e desaparece; a respiração; o coração. Ou a sentir o frio e o vento e a chuva ou o sol. Não tenho por exemplo o hábito de ouvir música, o que para além de perigoso, me parece contraproducente. Detesto encontrar pessoas conhecidas e prefiro a noite, porque de um modo geral há menos movimento. 
E há outros momentos em que nos esquecemos sequer de que estamos a correr (sem querer comecei a escrever na segunda pessoa do plural), em que o corpo segue em frente de forma completamente automática, em que o próprio esforço deixa de ser percebido, e a mente vagueia para outro lugar ou para lugar nenhum e damos por nós, como que teleportados, no fim do percurso. Algo de muito primário entra em funcionamento. Há uma suspensão do tempo. Sentimos-nos aconchegados - quase não nos sentimos, na medida em que a nossa auto-percepção diminui até um mínimo residual, e a nossa consciência enquanto entidade, enquanto oposição ao mundo e aos outros não existe; não pensamos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Conversas de "health" club

Instrutor para o aluno:
- Devias era ir a uma aula de body pump! És capaz de não aguentar, mas não faz mal saís a meio.

(...)

O mesmo a aluno em conversa comigo (eu sou aquele que faz perguntas estúpidas) :

- Ontem ia desmaiando no ginásio.
- Então o que é que aconteceu? Estavas a fazer o quê?
- Foi na bicicleta... quando estava a sair da bicicleta.
- Na bicicleta? Mas o que é que estavas a fazer?
- Estava a 180... durante três minutos p'ra i.
- A 180 bmp? E para quê? (pergunta estúpida)
- Então, mas 180 ainda não estava no máximo?
- Qual máximo? (outra pergunta estúpida)
- Então, 220 menos idade...
- Isso é um valor teórico, sabes. Varia de pessoa para pessoa... Mas de qualquer forma para quê esse exagero. Não me parece o melhor maneira de começar. (este indivíduo teima em fazer afirmações estúpidas)
- Então... estava tentar chegar às 110 rpm. Estava lá com o instrutor.
- Estavas lá com o instrutor? E o que é que ele estava lá a fazer? (parece impossível)
- A incentivar-me. (obviamente)

Às vezes vale mais só do que mal acompanhado.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

87!

87 kg. Contagem decrescente. -21 kg do que em Agosto 2009. -3 kg no último mês.

Gestão da inflamação mais ou menos cuidadosa. Sinto que se abusar estrago qualquer coisa. As articulações têm o seu ritmo, que não é mesmo do que o do sistema cardio-vascular ou muscular. Há que ter paciência.

Talvez para Maio esteja preparado para mais uma corrida. Até lá, todos os kilos serão aqui festejados! Hurra!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A medicina do trabalho

"A medicina do trabalho" também daria um bom nome para um blog. 

Foi dia de ir ao doutor. Não gosto particularmente de médicos, fazem-me sempre lembrar o cangalheiro da banda desenhada do Lucky Luke, que está sempre a tirar as medidas aos vivos. Ainda não perdi a esperança que algum me aconselhe a não trabalhar, mas tinha sobretudo alguma curiosidade em perceber em que estado estava a carcaça depois de todas as mudanças dos últimos meses.

E, de facto, quase que pareço uma pessoa saudável.
  • Colesterol: 167 (marca verdadeiramente histórica; não me lembro de ter nunca menos de 200 e tal)
  • Glicemia: 86 (já ao fim da manhã, depois de pequeno almoço habitual)
  • Freq. Cardíaca Repouso: 44 (há seis meses atrás andaria pelos 60 e tal, 70)
Uma palavra para esses valorosos profissionais que tornaram possível esta consulta de medicina do trabalho:

A enfermeira era simpática e nem sequer lhe levo a mal ter-me picado o dedo de forma extremamente dolorosa. O sr dr. era uma personagem verdadeiramente surreal... falava claramente demais... a certa altura perguntou-me se eu costumava ver novela da sic, referindo-se a um caso de alguém que julgavam morto, mas que mais tarde apareceu vivo, que afinal não tinha morrido... doutor: não vi, mas é como se tivesse visto!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Aerobic Time Trial

A última semana foi de recuperação, terminando com um pequeno teste que irei repetir no fim de cada ciclo.
Aerobic Time Trial: consiste em 5 km com a frequência cardíaca 9-11 batidas abaixo do limite anaeróbio. No meu caso o limite anaeróbio deverá andar pelos 170 bpm, portanto no teste deveria manter-me entre as 159 e as 161 bpm.

Há medida que a forma aeróbica aumenta, o tempo necessário para percorrer os 5 km deverá obviamente baixar. Este teste é bem menos violento, e mais apropriado à fase em que estou,  do que os 30 minutos full power que fiz há cerca de 2 meses com o objectivo de determinar o limiar anaeróbio.

Durante o teste entusiasmei-me um pouco pelo que a FC ficou ligeiramente acima. A nível físico não me sentia no melhor: estava um bocado desidratado e acho que o jantar ainda não tinha sido devidamente processado. Noite sem vento, frio moderado.

Resultados:
 - Distância: 5 km
 - Tempo: 27:43
 - Ritmo Médio: 5:32/km
 - FC Média: 162 bpm
 - FC Máx: 167 bpm
 - Peso: 88 kg

Tenho um outro treino feito na semana da São Silvestre que poderá servir de comparação aproximada: 30 minutos na zona 3:
 - Ritmo Médio: 5:56/km
 - FC Média: 160 bpm
 - FC Máx: 165 bpm
 - Peso: 90 kg

Se fossem completamente comparáveis significaria uma melhoria de 6-7%, o que é bastante significativo, ainda que natural, dado que estou a dar o "primeiros passos". No entanto, visto que foram no exterior e com condições atmosféricas bastante diferentes (da outra vez chovia qq coisa) é difícil comparar.

O meu sentimento geral é que de facto estou melhor.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Descanso

Custam-me mais os dias de descanso do que os de treino... instala-se um nervoso miudinho!