sábado, 24 de abril de 2010

Porque é que vais correr?

Domingo. 21h30. Apressadamente e mais cedo que o habitual, porque o treino seria longo, preparo-me para a minha corrida. Monitor cardíaco, t-shirt, ténis. Ao mesmo tempo despeço-me da minha filha que se vai deitar. Não é muito habitual ver-me naqueles trajes, porque na grande maioria das vezes já está (ou ainda está) a dormir quando saio para correr. Olha-me com curisidade.
- Pai, o que é que vais fazer?
- O pai vai correr - diz a mãe.
- A Mafra?
- Não, filha. Aqui ao pé de casa.
Volta a olhar-me, frazindo a testa.
- Porque é que vais correr?
Ora aí está uma excelente pergunta... Porque é que alguém no seu perfeito juizo sairia de casa num Domingo, às nove e meia da noite, para correr 20 e tal quilómetros. Não fui capaz de lhe responder. Talvez tenha complicado uma pergunta simples. Talvez tenha tido um certo pudor em lhe dar uma resposta fácil...

Tenho corrido e pensado em como responder satisfatoriamente a esta pergunta. Acho que ainda não consigo.

Entretanto, a minha filha corre agora também por todo o lado: sprints na varanda, voltas à piscina (mais de 10 contei eu). Talvez ela já saiba a resposta. 

quarta-feira, 14 de abril de 2010

84! uff

Não está fácil. O peso desce lentamente - nada que eu já não calculasse. Menos 24 kg do que em Agosto de 2009.

Entretanto, graves problemas de guarda-roupa. Embora tenha recuperado alguma roupa que me tinha deixado de servir, a grande maioria fica-me agora a "nadar". Mesmo as calças que comprei à uns meses me ficam agora folgadas. O cinto precisa de mais um furos extra.

domingo, 11 de abril de 2010

Ganhei um sino amarelo: 1:16:51!

Um bom resultado, sem dúvida, embora a certa altura acreditasse que pudesse acabar com 1h 15m.

A primeira parte de prova é maioritariamente a descer (com excepção do primeiro km e meio) e cheguei aos 7,5km abaixo dos 37 minutos. O problema foi o retorno, quase sempre a subir, com vento contra e algum calor à mistura. Tentei defender-me do vento o melhor possível, mas nem sempre tive essa possibilidade. Passei aos 10k, já a subir, com 49:51 (novo record do meu mundo). Quando o terreno endireitou ainda tentei aumentar novamente a velocidade, mas nem pernas, nem pulmão. Deixei-me ir abrigado na "sombra" de um francês grandalhão e lá fui em modo automático: ainda falta 3, ainda falta 2, 1 e meio, porra mais uma volta ao parque! e acabei num pequeno sprint de 50 metros.

Ainda assim acho que a estratégia foi a melhor. Neste tipo de provas tem que se apontar, ao contrário do habitual, para uma primeira parte mais rápida. O difícil é dosear o esforço e ainda mais sem experiência...

Mais importante: ainda consigo andar; coisa que não podia afirmar depois da São Silvestre.

A meia: sinto que preciso de trabalhar ainda mais a resistência; não sei se vá a Setúbal.

Podem ver a voltinha de 15k aqui.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Novo record do MEU mundo 10.000 metros: 00:50:06

Deveria ter sido um treino para ensaiar o ritmo para a corrida dos sinos (15km). Pensei em 5:30/km e decidi fazer um ensaio de 10 km, para ver se no fim ainda me sentiria confortável para continuar.

Mas entusiasmei-me! Fiz aquilo que já algum tempo desejava fazer. Ver quanto é que valia aos 10 km, pois a minha última referência era a da traumatizante São Silvestre, em que lixei o joelho.

Depois do primeiro ou segundo km a tentar acertar com o ritmo planeado, decidi ignorar o garmin (que levou o tempo todo a apitar), e seguir a um ritmo rápido mas confortável. De vez em quando olhava o aparelho e via o ritmo médio a baixar progressivamente: 5:15, 5:10, 5:05. A partir dos 3/4 km decidi definitivamente transformar o treino num time trial. E lá segui no mesmo ritmo rápido mas confortável. No último km já não ia muito confortável, tentei ainda forçar um bocado o ritmo, mas a velocidade não é muita.

Distância:       10 km
Tempo:           00:50:06  (menos 6 minutos que na São Silvestre!)
Ritmo Médio: 5:01/km
Vel. Máx.:      17.8 km/h
FCMédia:       168 bpm (175 na São Silvestre)
FCMáx:          177 bpm

Agora a dúvida: que ritmo devo adoptar afinal para os 15 km?
5:30/km parece-me lento;
5:10/km ousado;
5:20/km?

terça-feira, 6 de abril de 2010

A metafísica na Blogosfera corredora...

Acedendo ao convite do Vítor Dias e na esperança de, ainda que indirectamente, motivar mais alguém a mudar de vida lancei-me na blogosfera. Será que isto deixou de ser um blog caseiro?


Transcrição abaixo:

"A metafísica do metatarso é, tal como o seu autor, um filho tardio e improvável. A minha mãe trouxe-me a este mundo numa altura em que o meu irmão, já com 15 anos de idade, se tinha resignado à solidão do filho único. Também este blog nasceu tarde na minha vida; os 33 anos são, ainda que involuntariamente, uma idade mística; uma idade que nos predispõe a meditações existenciais.


Hesitei (ainda que por apenas um minuto) antes de responder ao repto lançado pelo Vítor Dias, pois, muito sinceramente, este blog é apenas acerca da minha crise de meia-idade; sendo, portanto, duvidoso que possa interessar a alguém.

Tinha ideia que numa crise de meia-idade os homens deviam comprar um porsche em segunda-mão e ir para as discotecas engatar miúdas de 18 anos, fingindo que são imortais. Não sei se teria muito sucesso nesta abordagem… Portanto, em vez disso, decidi comprar um par de ténis e, todas as noites – às vezes madrugadas –, aproveitando o santo sono da minha filha e mulher, e muitas vezes desaproveitando o meu, fui caminhar.

Em Agosto de 2009, há 8 meses atrás, pesava 108 kg. Era, segundo qualquer parâmetro, obeso. No auge da minha doença cheguei a pesar 115 kg. Ofegava ao subir um lance de escadas. Roncava que nem uma betoneira. Comia para esquecer, mas não me esquecia de comer. Morria lentamente.

As conversas de explanada são perigosas. Viana do Castelo – Sagres, a pé, em 15 dias, foi o desafio. Palavras imprudentes, perigosas; improváveis para os meus 108 kg. Mas que me levantaram do sofá, onde ulcerava todas as noites em frente da televisão.


Caminhando, caminhando, lá fui largando uns quilos. E sentia-me melhor. Sobretudo pelo luxo daquela hora de introspecção. Fui lendo e gradualmente mudei também a alimentação. Sopa, fruta e vegetais à descrição; gorduras saudáveis e ácidos gordos; reduzi ao mínimo açúcares refinados. Descobri então que vivera grande parte da minha vida envenenado.


Em Novembro, ainda com 96 kg, comecei a correr. Corri no final de Dezembro (com 90 kg) a São Silvestre de Lisboa – o meu primeiro excesso desportivo.


Desde Agosto de 2009 perdi 22 kg – peso agora 86 kg. E espero perder ainda mais uma dezena… Espero correr uma meia-maratona. Espero correr uma maratona. Espero ainda muita coisa.


A metafísica do metatarso serve um propósito egoísta. Mas ainda assim, poderá ser que a minha história – e todo o corredor tem a sua história – seja de proveito para mais alguém."