sexta-feira, 23 de julho de 2010

Técnica

A técnica, no que diz respeito à corrida, é, regra geral, ignorada. Todas a gente sabe correr, certo? Qual técnica? O futebol tem técnica. O snooker tem técnica. A corrida não. Na corrida corre-se e isso qualquer um sabe fazer.

É isto que pensa a generalidade das pessoas. Especialmente aquelas que não correm. Aquelas que experimentaram e desistiram logo porque lhe fazia doer os joelhos, as costas, pés, o calcanhar. Correr doí - é isso o que pensa a grande maioria das pessoas. 

Entre os que correm, alguns haverá que dão atenção ao tema; outros não. Ou nunca pensaram e sempre lhes saiu bem - o que é perfeitamente plausível -, ou então gastam o seu tempo a pensar que raio de ténis é que hão-de comprar. 
Por outro lado, alguns profissionais, pelo menos os que têm dinheiro e tempo para isso (caso de Paula Radcliff, por exemplo), vão o detalhe de se fazerem filmar com câmaras de alta velocidade, por forma identificar e corrigir pequenas imperfeições no seu movimento. Mas para este senhores e senhoras todos os segundos contam.

De facto, tem de haver uma forma correcta de correr. Para a perceberem basta observarem os vossos filhos ou sobrinhos a correrem. Uma criança de 3 ou 4 anos, com um calçado mínimo, corre na perfeição. Pés a aterrarem bem debaixo do corpo, que está ligeiramente inclinado para a frente a partir dos tornozelos (não da cintura), apoiando em primeiro lugar o ante-pé ou o meio do pé (não o calcanhar), e empurrando de seguida o chão para trás, calcanhares bem alto; cadência elevada. Todas as corridas são um sprint, não há qualquer receio: velocidade máxima. Alternativamente podem tentar observar alguns quenianos, que fazem o mesmo. Ou a vocês mesmos a correrem descalços - se não se quiserem aleijar vão fazer qualquer coisa parecida.

Como é que perdemos então este preciso conhecimento? Há quem diga que a culpa é dos sapatilhas desportivas, que incentivam a alongar a passada para a frente e a aterrar no calcanhar almofadado. Há que ter em atenção que esta é uma tendência relativamente recente, que data dos fins dos anos 70. 
Mas não faz sentido: um calcanhar espetado à frente do corpo age como um travão. Já para não falar em todo o impacto que se propaga ao longo corpo e que não pode fazer bem..


Enquanto num dos casos parecemos deslizar sobre o chão, no outro parece que andamos aos trambolhões avançado de ressalto em ressalto.

4 comentários:

  1. :D tou lá! Já comecei a correr descalço e já encomendei uns ténis minimalistas. Faz-me muito sentido correr descalço e regressar a um modo mais natural de ser. Atenção porem a quem pesa muito!

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  2. Sim. É preciso ter alguma prudência. É preciso dar tempo aos pés, normalmente enfraquecido por uma vida dentro de sapatos super apoiados.

    Em termos de calçado não fiz qq alteração (muito pelo contrário...), embora também esteja a pensar comprar uma alternativa mais "ligth", para ir alternando.
    Tenho sim dado alguma atenção à forma como corro.

    Que ténis minimalistas estás a pensar comprar?

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