terça-feira, 31 de agosto de 2010

79!

Quebrada mais uma barreira psicológica (os 80). Não tenho dado muitas notícias porque o tempo é curto e não dá para tudo. Tenho feito algumas maluquices para continuar a treinar minimamente: 12km na passadeira à hora de almoço (bastante desagradável), sendo que meu horário normal de treino é entre as onze e a meia-noite e tal (péssimo para o sono, porque na maior parte das vezes só me consigo deitar à 1h).
A quilometragem semanal tem sido entre os 50 e 70; 5 a 6 treinos. O que continua a faltar são os treinos longos. Procuro compensar acrescentando alguma intensidade adicional aos treinos base. Por exemplo, para um treino de 10km, faço a primeira metade num regime aeróbico médio e a segunda mais rápida, próximo do que será o meu ritmo de maratona (quando chegar a fazer uma).

Boas corridas

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nova treinadora...

- Vou dar uma corrida.
- 30 minutos.
- Nem dá para aquecer.
- 30 minutos e rápido!

Eu faço o que posso. Não sou assim tão rápido....



Dividir
Tempo
Distância
Ritmo médio
Resumo00:36:387.3005:01
100:05:161.0005:16
200:04:441.0004:44
300:04:341.0004:34
400:04:341.0004:34
500:04:341.0004:34
600:04:281.0004:28
700:06:251.0006:25
800:02:000.3006:43


ou então em progressão que é menos doloroso




Dividir
Tempo
Distância
Ritmo médio
Resumo00:38:167.2505:16
100:06:461.0006:46
200:05:391.0005:39
300:05:081.0005:08
400:04:391.0004:39
500:04:211.0004:21
600:04:181.0004:18
700:05:411.0005:41
800:01:400.2506:47


Adaptações.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A comunidade

Deixo-vos com um excerto de um dos mais belos textos da língua portuguesa (este sim, sabia escrever):

"Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de  carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro; e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na  boca uns dos outros, trocamos pernas e braços, bafos suor uns com os outros, uns pelos outros, tão conchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossas veias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem, compassadamente, silenciosamente, duma igual vivificante seiva.

É um bicho poderoso, este, uma massa animal tentacular e voraz, adormecida agora, lançando em redor as suas pernas e braços, como um polvo, digo: um polvo excêntrico, sem cabeça central, sem ordenação certa (natural); um grande corpo disforme, respirando por várias bocas, repousando (abandonado) e dormindo, suspirando, gemendo. Choramingando, às vezes. Não está todo à vista, mas metido nas roupas, ou furando aos bocados fora delas. Parece (acho eu, parece) uma explosão que atingiu um grupo de gente parada e, agora, o que está ali são restos de corpos mutilados : uma pernita de criança, um braço nu sòzinho, um punho fechado (um adeus?... uma ameaça?...), um tronco mal coberto por uma camisa branca amarrotada. Ou seria, então, talvez, um desabamento súbito, uma avalanche de neve encardida, que nos cobriu a todos, ao acaso, aos bocados, e para ali ficámos, quietos e palpitando, à espera, quietos e confiantes, dum socorro improvável, cada vez mais (e as horas passam!) improvável, incerto, aguardando a luz da manhã, que chega sempre, que acaba sempre por chegar, para vivos e mortos, calados ou palrantes, ladinos ou soterrados, os que já desistiram da madrugada e os que, ainda, contra qualquer lógica, contra qualquer quantidade de esperança, confiam ainda e esperam.

Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés, o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz, cansado de ler parvoíces que só em português é possível ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor."


De resto... adaptações, adaptações. Tenho tido grande dificuldade em seguir o plano de treino que pretendia. Tenho corrido sempre que posso - cada vez menos estruturadamente e ao ritmo que me apetece. Têm falhado os treinos longos. Tenho sérias dúvidas que consiga treinar convenientemente para a maratona (de lisboa?) - mas isso também não quer dizer que não a faça (!). E uma meia maratona para setembro - parece-me certo.