domingo, 26 de setembro de 2010

Meia Maratona de Portugal: 1h59m, fonix!

É um lugar comum dizer que aprendemos mais com os nossos erros e fracassos do que com os sucessos - mas não deixa de ser verdade. Aqui vai uma curta crónica:

Fiz a primeira metade da prova de uma forma confortável e rápida - aos 10km ia com uma média de 4:26/km. A partir daí e até aos 15km senti que já ia um pouco a forçar, mas ainda de forma controlada. Depois disso entrei em perda progressiva, ofegando que nem um boi. Aos 18, 19km já ia meio trôpego, a contar kms e incapaz de correr a mais do que 5:00/km; completamente em piloto automático. Até que por fim a coisa culminou com um "colapso" (provavelmente uma hipoglicémia) a 1km da meta! A paisagem ficou turva e sentia que me ia apagar a qualquer instante. Dois senhores (obrigado) pararam (devia estar com má cara) e deram uma garrafa de powerade e seguiram o seu caminho. Percebi que não conseguia sequer andar sem me espetar no chão e por isso aproximei-me dele. Estive 20 minutos parado sem saber de que terra, a beber água e powerade, mas sem grandes resultados. Acabei por vomitar tudo. Ninguém da organização se dirigiu a mim. Depois seguir a andar (devagarinho) até à meta. Na minha cabeça fiz 1h37m; mas no mundo real as meia-maratonas têm 21,095Km e só acabam quando se cruza a meta, por isso: 1h59m. Link.

Apanhei sempre água em todos os abastecimentos, mas acabava por beber apenas um gole e bochechar... Ainda antes da prova estava à conversa com o Pena acerca de geles... Isso e uma melhor hidratação talvez tivessem evitado o que sucedeu. Mas talvez tenha simplesmente feito a primeira metade da prova demasiado rápido...

Ainda estou a tentar perceber o que me aconteceu e porquê. Não sei ainda o que é que aprendi. Mas aqui ficam alguns factos:
1. Tenho uma tendência estúpida de levar as coisas demasiado a sério.
2. Só conhecemos os nossos limites quando os ultrapassamos ...
3. Não é divertido ultrapassar os limites do corpo
4. Não há vontade que suplante as limitações do corpo
5. Quem tudo quer, tudo perde

Factos positivos:
10km - 44m25s (record pessoal)
15km - 1h08m (record pessoal)
20km - 1h32m (record pessoal)
Meia Maratona - 1h59m (record pessoal)

Nem tudo é mau. Aliás, tudo é bom. Neste momento estou um pouco confuso... A primeira ideia que me passou pela cabeça é que não me iria inscrever para a maratona de Lx. Mas é preciso deixar as águas acalmarem....

6 comentários:

  1. Abraço Pedro...

    Isso vai tudo ao sítio... não foste o primeiro, não serás o último... e é continuar a rolar... Tu ajustas-te aos que queres e ao que podes. Acontece com todos nós (acho eu!!!)...

    Abraço,

    Rui

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  2. foste ao limite. Estás de parabéns por teres lutado até esse ponto. Só mostra que tens muita vontade. 1h37 é o que vales e mais nada! Agora continua que tu andas é a treinar para a maratona.
    aconselhava-te a fazeres mais uma prova se fosse possível. só para tirares esse bicho da cabeça.

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  3. andas a treinar geles e água nos longos?

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  4. Brincando um pouco... foi um foguete que explodiu antes do alvo.
    Nunca me aconteceu tal coisa, mas parece que o depósito ficou mesmo seco e o motor esteve à beira de gripar.
    Convém não alterar hábitos de pequeno almoço e de hidratação para provas como esta... e começar com mais calma.
    De qualquer forma parabéns pelos records.

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  5. Olá Pedro,

    Cá está o velho do Restelo do grupo... Ponho as minhas mão no fogo como sabes exactamente o que te aconteceu, pessoas inteligentes fazem essa análise mesmo que não seja imediata e que o cansaço turve o pensamento.

    Ainda assim não concordo nada com isso do "...Só conhecemos os nossos limites quando os ultrapassamos..." pois 30 cm de terra em cima são bastante pesados para conhecer o limite. É como dizes... "Não há vontade que suplante as limitações do corpo"

    Aliás, eu acredito que o desporto que se faz por prazer é preciso perceber que quando a cabeça deixa de pensar, algo correu mal, é esse o momento para o retiro espiritual, reprogramar o chip e voltar mais esperto.

    Cumprimentos do "Velho do restelo" e boas corridas para ti.

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  6. Muito obrigado por todos os vossos comentários e incentivos.

    Acho que fui até ao limite. Um pouco mais além e receio bem que teria sido demasiado grave. Não sei exactamente o que me aconteceu... até pagava para me dizerem. Apesar disso, reflectindo um pouco, houve duas coisas que correram mal: ritmo, nutrição, hidratação (foram 3).
    - Ritmo: antes da prova tinha decidido manter um ritmo constante (com excepção dos 2 primeiro kms que eram a descer) entre os 4:35/km e os 4:40/km (devia ter-me limitado aos 4:40). Mas fiz os primeiros 5kms a 4:18/km (completamente fora); os segundos 5km a 4:34/km (ainda assim demasiado rápido). Uma meia-maratona deve ser corrida abaixo do limiar anaeróbio e eu tentei corrê-la ligeiramente acima. Consegui manter as coisas em controle durante a primeira hora, depois disso... a desgraça.

    Nutrição: nunca comi um gel na minha vida...
    Nos dias antes da prova comi normalmente e descansei. Talvez fosse melhor ter aumentado a dose de hidratos de carbono e mantido um regime de treino muito ligeiro. Mas a realidade é que não achei que fosse necessário; da mesma maneira que nunca me ocorreu que talvez se justificasse usar os tais geles...

    E para encerrar: a hidratação. No dia antes preocupei-me em manter-me bem hidratado e consegui. A mesma coisa na manhã da prova. Durante a prova apanhei uma garrafa em todos os postos de abastecimento, mas limitava-me a beber um gole, bochechar e mandá-la fora... Transpiro bastante e estava algum calor. Não tenho dúvidas que estava um pouco desidratado e que isso também contribuiu para a desgraça. Pesei-me quando cheguei a casa (já depois de ter bebido 1L de água) e tinha 76kg - sendo que antes devia estar com 77 e meio.

    Aos 15kms houve claramente uma mudança de regime no meu corpo. Durante a prova notei que a respiração muito mais acelerada; a frequência cardíaca também aumentou (média de 180!); e já não era capaz de manter o mesmo ritmo.
    Para isto poderá ter contribuído a desidratação e o calor que por aquela hora já se começava a fazer sentir. O ácido lático acumulava-se... Mas não pode ter sido só isso... O depósito ficou realmente vazio - acabou-se o glicogénio muscular. Consegui a proeza de bater na 'parede' aos 20kms.

    Mas a matemática desta explicação está a fazer-me alguma confusão. Terei consumido cerca de 1800 calorias. Supondo que 90 a 95% foi proveniente de glicogénio (e não de gordura): 1700... + 200 no aquecimento... Teria que estar pouco "carregado"...

    Conclusão: agora estou bem; ontem estive ainda toda a tarde meio grogue e com o estômago embrulhado. A maratona é para fazer, mas a ritmo de treino. Até lá tenho que apreender muito mais sobre nutrição e continuar a trabalhar a resistência.

    Boas corridas e sejam mais espertos do que eu :)

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