sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Maratona de Lisboa 2010 - A história completa (1/3)

a queda
Na quarta-feira à noite, depois da minha queda, ainda acreditava que com muito gelo e fé o pé iria melhorar até Domingo, dia de maratona. Não estava partido. Não poderia ser assim tão mau. Uma queda tão estúpida que nem percebi bem como é que aleijei o pé - a única explicação foi a biqueirada no chão.
Não foi esse exactamente o diagnóstico do médico:
- Quanto tempo demora até passar Dr.?
- 5 dias.
- Então e se por exemplo eu estivesse a pensar fazer uma corrida no Domingo?
- De preferência uma maratona - isto ele não disse, mas teria a sua piada...
A facto é que quando chegou a quinta à noite e ainda estava pior (o que é natural) comecei a convencer-me de que não iria... Sexta-feira trouxe algumas melhoras, mas pouco significativas. E eu já tinha desligado. Não iria fazer a maratona. Não era assim que eu queria fazer a minha primeira maratona. E era estúpido estar a arriscar aleijar-me seriamente apenas por um capricho de calendário.
Deixei de me preocupar com a alimentação, meteorologia, equipamento. Não iria. E assim disse a quem me perguntou.

o dia antes
Tinha contudo de levantar os dorsais (o meu e o do Pena). Estava um frio do caraças e ameaçava chover. Como sempre - infelizmente - ia com pressa; aproveitava a sesta da criançada para tratar do assunto... Levantados os dorsais, meia volta na feira que me pareceu tristonha, e saí novamente para a rua. Estava a começar a chover... e chuva era mesmo fria. Senti a tentação de correr e corri. E fiquei espantado por não me ter doído demasiado.
Inversão completa: como poderia eu não tentar correr a maratona quando havia a possibilidade de o conseguir? Se tivesse dores desistiria, mas não podia ficar em casa com tanta gente a correr pelas ruas de Lisboa. Quatro meses de treino mereciam pelo menos uma tentativa...
Comi um jantar reforçado: (muitas) batatas com bacalhau e grão. Preparei o equipamento. Há última hora ainda não sabia muito bem onde levar o gels.

o dia
Dormi muito mal. Choveu toda a noite e estava bastante ansioso.
Sete da manhã, pequeno almoço: pão com mel, marmelada, banana. Chegamos sem problemas ao local de partida. Ia junto com o Pena e encontrei depois o Nuno, um colega de trabalho que também se ia aventurar na sua segunda maratona - após um interregno de alguns anos. Sacos entregues. Alguma confusão à procura do local de partida.
Plano: ponto de situação com o meu pé aos 5km; por essa altura já deveria conseguir perceber se tudo iria correr bem. Tinha pensado levar dinheiro para o taxi... mas esqueci-me. Ritmo: o inicialmente combinado era entre os 4:50 e os 5:00/km, mas para mim acabar seria de qualquer forma uma vitória.

(continua...)

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