domingo, 5 de dezembro de 2010

Treino mais difícil de sempre...

Maratona de Lisboa 2010. Fui, corri, andei, solucei e terminei.

Numa decisão de última hora resolvi ir à maratona, isto apesar de o dedo do pé estar negro. Quando fui, no Sábado, buscar os dorsais experimentei a correr e não me doeu demasiado. Por isso fui à experiência. Se não resultasse ficava aos 5kms... mas não fiquei, e terminei - o que sempre foi o meu principal objectivo.

O tempo não foi famoso, mas antes que a Almirante Reis acabasse comigo... achei que o melhor era chegar devagar, em vez ficar sentado no passeio agarrado às pernas com as caimbras que a todo o momento ameaçavam. Acabei com 3:48:44. A maratona é bem mais difícil do que imaginava. Os últimos 5/7km fazem toda a diferença. O meu tempo alvo era 3:30. O pé não me atrapalhou demasiado - pelo menos não directamente -, doía devagarinho. O pior foram mesmo as ameaças de caimbra e uma dor que se instalou na anca - é claro que isto pode estar associado ao facto de estar a correr demasiado tenso, tentando proteger o pé...

Até à meia-maratona fui muito bem: 5km(:25), 10km(:50), 15km(1:13), 21km(1:42). Aos 24km comecei a sentir os primeiros espasmos musculares. O vento desgastou-me demasiado durante toda a prova. Por essa altura disse ao Pena, que me acompanhou desde o início até ao km 36, que o final ia ser difícil. Ainda assim, reduzindo ligeiramente o ritmo, lá fomos até aos 35km, altura em que tive que parar e alongar. Segui lentamente até aos Restauradores (37km) - já sem o Pena que disse: "Isto é para acabar, carago!". A subir a Almirante Reis percebi que não tinha qualquer hipótese de me aproximar das 3:30 e por isso desliguei. E andei. Andei. Corri. Andei. E não era o único - quase toda a gente ia a passo de caracol ou a andar.
Demorei 38 minutos a fazer os últimos 5km.

Ao cruzar a Av. Estados Unidos da América, voltei a correr e daí até ao final. Percebi que já nada poderia acontecer e iria terminar. E chorei. Tecnicamente, pode-se dizer foram uma sucessão de soluços. Pensei nas minhas filhas, no meu pai... em muita coisa.

Apesar do sofrimento final a maratona é, de longe, a prova que mais prazer me deu até agora. Porque é feita ao ritmo que eu mais gosto - aquele confortavelmente difícil.

Quando puderem, corram uma maratona.

7 comentários:

  1. parabéns!! tás aqui tas a fazer o Portugal na vertical...

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  2. Parabéns pelo feito alcançado. A primeira maratona é um momento único que fica registado para sempre na nossa memória.

    abraço
    MPaiva

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  3. Parabéns pelo belo treino e já agora pela bela estreia!
    O meu treino foi mais curto...

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  4. Obrigado a todos pelas vossas palavras.

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  5. RuiRuim -- o Portugal na vertical a pé! não está esquecido. Mas, tal como muitas outras coisa na vida, é bem mais difícil do que inicialmente suspeitava. Fisicamente - sobretudo -, mas também em termos de logística... Um dia, porém, talvez aconteça - haja pessoas dementes e tudo é possível :)

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  6. Parabéns PGomes
    Um relato carregado de emoção quew constitui um excelente registo na entrada no mundo da maratona, a "prova confortavelmente mais difícil" -expressão lindíssima.
    Abraço.
    FA

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