domingo, 13 de fevereiro de 2011

GP Atlântico 2011 - a crónica

Mal acordei e espreitei pela janela percebi logo que seria difícil fazer um bom tempo no GP do Atlântico. Mesmo aqui na minha rua, normalmente resguardada, as árvores acenavam com alguma veemência e o céu estava cinzento... O problema das provas é que tem dia e hora marcadas - ontem, sábado, teria sido um dia excelente para correr 10km. Mas ainda assim custa-me a perceber o que é que milhares de portugueses ficaram a fazer no quentinho da cama, quando poderiam andar por aí a correr à chuva... bom.

A caminho da costa da caparica o tempo foi torcendo a cara. Assim que estacionei o carro começou finalmente a chover - foi um alívio. Café. Levantar o dorsal. Xi-xi.  Umas voltas para tentar aquecer. E como teimava em chover decidi deixar os óculos no carro - boa ideia, embora assim não consiga reconhecer ninguém que não esteja literalmente encostado a mim. O mundo ficou desfocado, mas eu não - vejo mal ao longe, portanto.

A partida foi um granel. Mas há coisas que a organização não pode, afinal de contas, controlar... Seria de esperara que garantisse por exemplo bom tempo e temperaturas amenas, mas não que se lembrassem que seria uma péssima ideia colocar a zona de partida num local em que os corredores não conseguissem aceder sem ter que passar pela própria partida... Havia os que queriam sair à frente e daí não saíam; e os que queriam ir para trás, mas não conseguiam passar... estava a chover... e assim estivemos uns 5 minutos, completamente engarrafados, altura em que resolveram dar a largada uns metros à mais à frente.

Saí portanto no meio do pelotão, mais para trás do que para a frente, e durante as primeiras centenas de metros não consegui correr - carros, ruas estreitas. Ainda assim primeiro km em 4:19. Agora já se conseguia correr mais à vontade: segundo km em 3:52. Fiquei um bocado preocupado - talvez estivesse a ir depressa de mais - e não voltei a olhar para o relógio senão aos 5km: 20 minutos e qualquer coisa. (Fiz 4km abaixo do 4:00). Mas sabia que o pior ainda estava para vir...

Prosseguimos em direcção à praia e o vento tornou-se mais intenso. Depois do km 6 (que me pareceu o 8 ao longe) entrámos no pontão e aí a coisa tornou-se verdadeiramente épica. A chuva puxada a vento vinda da direcção do mar batia-nos na cara se fosse agulhas. Parecia que tínhamos entrado num túnel de vento... água e areia. Foi uma espécie de esfoliação. Para além disso, em algumas zonas do percurso a areia dificultava um bocado a aderência. Ia à rasca, como toda a gente, mas a aguentar-me. E na segunda metade do pontão ainda passei mais dois ou três atletas que iam cedendo. Nunca olhei para o garmin porque imaginei que seria demasiado desmotivante. Calculei que deveria ter descido para os 4:45/km, mas afinal fiz 3km certinhos à volta do 4:30/km.

Quando acabou o pontão olhei finalmente para o relógio: 35 minutos e faltava 1km e tal. Ainda era possível fazer um tempo a rondar os 42 minutos... E ainda me sentia com alguma reserva. Agora que tinham desligado túnel de vento e aproveitando uma ligeira descida voltei a andar bem: último km em 4:00. Terminei com 42:18. O garmin marcou 10.06km; aos 10km registou 41:59 - o que compara com a minha anterior melhor marca dos treinos 42:33. O melhor parcial de 5km (entre 2º e 6º km) foi de 20:04 - também o meu melhor até agora.

O percurso plano é bem do meu agrado. Não fora a meteorologia adversa e talvez... talvez me conseguisse aproximar (ou baixar) dos 42 minutos. Enfim... lá me meti no carro ensopadinho e cravejado de areia. Sou um homem relativamente prevenido mas não me ocorreu em trazer uns ténis e calças de reserva... Ténis e meias fora, calções fora, troquei para um t-shirt seca e lá vim eu.

11 comentários:

  1. Parabéns Pedro...

    Ai está o corredor de pelotão em grande :)

    Abraço,

    Rui

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  2. porra 42 com aquele vento é muito bom! Parabens! vi-te chegar ainda ia gritar metafisica do metatarso mas quando acabasse já tu estavas no carro :)

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  3. obrigado! à chegada ainda vi dois ou três gajos com a equipamento vermelho do pró-aventuras, mas já não te vi a ti.

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  4. tinha ido ter com a maria. estás a andar muito bem mesmo.

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  5. Não percebi se estavas a duvidar, mas a última vez que fiz um treino de séries foi no fim de Outubro... e antes disso já nem me lembro quando.

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  6. e achas que se não as tivesses feito que andavas a este ritmo?

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  7. acho que... ajudam. Mas tb é um facto que tenho melhorado sem as fazer.

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  8. hmmm! polémica. e o senhor Portugal na vertical não se mete nisto?
    Acho que se não as tivesses feito não tinhas evoluido tão rápido e que ainda vens desse balanço das séries e dos tempo run e provas.
    Se não treinares intervalados não evoluis. Vejo muito isso aqui no ginásio.

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  9. Discordo pelo menos da tua última afirmação. Claro que não há formulas universais e cada um tem que procurar o que se adapta melhor a si. Mas a afirmação do "se não treinares intervalados não evoluis" penso que é errada.

    Acho que o treino intervalado tem o seu lugar em qq plano de treino e cumpre uma função muito especifica, num altura muito especifica. Da mesma forma que os treinos longos e ou os tempo runs.

    No meu caso particular tb senti alguma aparente estagnação nas alturas em que fazia sobretudo treino aeróbico de base. Mas (um grande mas) depois treino base, sempre que precisa de "cavar fundo" tinha onde me agarrar - e as melhorias estavam lá.

    Faço poucas provas (a anterior tinha sido a maratona de Lx), séries apenas na fase final de aproximação a um ou duas corridas durante o ano. Faço essencialmente corrida contínua, a várias velocidades: devagar, devagarinho e, ocasionalmente, tão rápido quanto consigo.

    O mais importante é a consistência e um volume desafiante. O que eu gostava de estar a fazer agora, se tivesse disponibilidade, seria 6 treinos semanais e uma média de 80-90km... mas não tem dado.

    A principal razão para não fazer muitas séries é que... não gosto. E como para fazer coisas que não gosto, já tenho o trabalho... faço poucas séries.

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