domingo, 4 de dezembro de 2011

26ª Maratona de Lisboa

Um mês depois da Maratona do Porto, que me tinha corrido bastante bem, cheguei à maratona de Lisboa sem um objectivo muito bem definido. O primeiro seria, é claro, terminar a minha 3ª maratona (isto ainda me soa um pouco estranho). Depois disso... não sabia bem. O mais racional seria começar a prova com alguma precaução; 4 semanas depois do Porto dificilmente estaria num melhor momento de forma e/ou descanso. As quatro semanas foram divididas entre recuperação e tapering para a nova maratona; mas apesar de tudo os treinos que fiz dera-me alguma confiança (apesar do peso extra que ganhei)... 

A minha primeira ideia foi seguir com o pacer da 3h15m; parecia-me um bom ritmo tendo em conta o percurso. O problema é que não havia pacer das 3h15... só 3h00 e 3h30. Há uma grande vantagem em correr em grupo. Ainda mais se houver vento, mas mesmo sem ele. Foi então que comecei a ter ideias estúpidas. Ou melhor, sem nunca admitir a mim mesmo, fiquei com vontade de tentar seguir no grupo das 3 horas... Não tem mal nenhum. Até poderia ter corrido bem. Assim, pude comprovar com toda a certeza que não estou preparado para essas andanças.

Resumo da minha prova: saí rápido, demasiado rápido, e aproveitando uma zona de descida vou-me colando ao grupo das 3 horas. Por volta dos 5kms (com 21:06) percebi que aquilo não era andamento para mim. Apesar do sobe e desce constante, continuei em bom ritmo chegando aos 10kms com 43:30. Estes primeiros 10kms foram determinantes; corri de forma demasiado agressiva e vim a pagar mais à frente. Logo desde o inicio (ou quase) que comecei a sentir algumas dores musculares - que também já vinha sentindo nos dias antes da maratona.

Cheguei à meia-maratona com cerca de 1h33 e plenamente convicto que iria ser uma segunda metade muito difícil. Isto porque (ao contrário do que acontecera no Porto) já me sentia desconfortável e a dores musculares começaram a ficar mais intensas depois da descida. 

Acabei por fazer grande parte da prova "sozinho". No meio da confusão de 3 provas simultâneas (maratona, estafetas e meia) era difícil encontrar alguém que seguisse num ritmo semelhante. Pouco depois de passar à meia maratona vejo-me confrontado com um verdadeiro muro de atletas pertencentes à meia maratona e que seguiam num ritmo mais lento. Que estupidez. Havia zonas em que quase não dava para passar... Houve aqui uma fase em que segui junto com dois atletas da maratona, ultrapassando paulatinamente o pessoal da meia. Por momentos senti-me confortável. Ainda estava na esperança que as coisas melhorassem. Mas partir dos 29/30 admiti que já não havia melhoras - restava-me terminar o melhor que conseguisse... E assim foi. Muito dignamente, num ritmo lento, mas sem nunca parar, apesar das ameaças de caimbras, cheguei ao cais do sodré, martim moniz, almirante reis e.. fim. 3 horas de 19 minutos. Nada mau. Um bom esforço.

Esta é dedicada às minhas duas filhas .Que um dia ter o prazer de terminar uma maratona.

Agora é preciso recuperar, para depois pensar em novos desafios.