sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hansons Marathon Method

Esta foi uma época desportiva de relativa estagnação. Infelizmente, outra coisa não seria de esperar. A genética é o que é; depois de uma fase inicial em que se consegue uma evolução rápida, quando se atinge um certo nível de treino, as evoluções são muito mais lentas e requerem cada vez mais trabalho. Ainda tenho alguma margem de progressão... mas, de momento, também estou no limite do número de horas que consigo dedicar ao treino.

É certo que em termos de resistência senti alguma evolução e com um pouco de sorte poderia ter melhorado a minha melhor marca na maratona. Nas provas mais curtas falta-me velocidade. E não sendo mais rápido nas provas curtas, será dificil melhorar significativamente na maratona.

"The Hansons-Brooks Distance Project" é um projecto de desenvolvimento olímpico para atletas pós-colegiais que se tem vindo a afirmar no panorama da corrida de fundo (especialmente maratona) norte-americano. Resultado da parceria entre a Brooks (marca de calçado desportivo) e os irmãos Hansons, destacam-se por aceitarem atletas "menos" talentosos e usar métodos de treino menos convencionais, assentes num forte espírito de grupo. Sediados na pequena cidade de Rochester, no estado do Michigan, espalharam as cores garridas, dos seus  equipamentos icónicos, pela frente das corridas de todo o país.

Adquiri recentemente o livro "Hansons Marathon Method: a renegade path to your fastest marathon", da autoria de Luke Humphrey, em colaboração com os irmãos Hanson. Luke é atleta e também treinador do grupo, tendo no seu curriculum vários top 15 e a melhor marca pessoal de 2:14 para a maratona.


O livro é bastante interessante e recomendo. O "Advanced Marathoning", de Peter Pfitzinger, continua a ser o meu preferido no que respeita a treino para maratona, mas este apresenta sem dúvida uma abordagem diferente ao treino para maratona que vale a pena ter em conta. O livro segue uma estrutura relativamente clássica começado por enumerar os atributos fisiológicos necessários para ter sucesso na maratona, como treiná-los, apresentando de seguida um plano de treino para iniciados e outro mais avançado. Seguem-se conselhos sobre nutrição, treino suplementar e cuidados a ter antes, durante e depois da prova. Como bónus descreve também o plano seguido pelo próprio Luke Humphrey enquanto treinava para a maratona em que estabeleceu a sua melhor marca.

Em que aspectos é então o método de treino dos irmãos Hanson diferente de outras abordagens mais clássicas ou mesmo dos planos de treino Pfitzinger?

Primeiro: volume. É difícil de correr uma boa maratona sem volume mínimo. 100km semanais é um bom número e eu concordo. Há adaptações fisiológicas importantes que acontecem por esta via. Grande parte desde volume terá que ser corrido a intensidades baixas ou moderadas. Pelo menos para a maratona, não há caminhos fáceis do género: corra pouco, corra rápido.

Segundo: o treino longo é mais curto do que o habitual. Em vez dos 32, 35 kms propostos pela generalidade dos planos de treino - mesmo aqueles com um volume semanal relativamente reduzido (60-70kms) - os Hansons propõem uns modestos 25-26 kms de máximo, enquadrados num volume semanal que rodam os 100kms. Em termos percentuais, o treino longo representa portanto 25% do volume semanal, em vez dos habituais 30%. O treino longo deixa, com isto, de ser o mais difícil da semana, exigindo menos tempo de recuperação e abrindo a porta para outras sessões de treino difíceis.

Terceiro: as outras sessões difíceis... para além do treino longo, existem mais dois treinos de substância (something of substance) durante a semana: um treino a ritmo de maratona (de acordo com objectivo) que acompanha o atleta desde o início ao fim do plano - entre 10 e 16 km; e um treino intervalado, numa primeira fase corrido ao ritmo de 5K, que depois evoluí para intervalos mais longos e em maior volume corridos ao ritmo de 15K ou meia-maratona.

Esta abordagem parece-me interessante para mim, especialmente porque constitui uma variação relativamente ao treino que tenho vindo a seguir. Vou experimentá-lo para 2013. Dado que não devo fazer nenhuma maratona na primeira metade do ano, vou adaptá-lo para meia-maratona. O treino a ritmo de maratona é substituído por um treino a ritmo de meia-maratona, com um volume inferior; de resto será semelhante.


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